sábado, 8 de setembro de 2007

Pensamento do dia

God grant me the Serenity to accept the things I cannot change...

Courage to change the things I can...

and Wisdom to know the difference.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ode a Roma

Não sabia muito bem o que escrever depois do último post, tão completo e intenso... And then it hit me...

Estava a ver as fotografias da minha primeira viagem a solo a Roma, no Verão de 2005... Fez-me pensar na vida, na maneira como as coisas se desenrolaram. Há dois anos estava eu ainda em Roma, a experienciar uma viagem sozinha pela primeira vez. Tinha 20 anos, mas já me sentia independente. Daí ter decidido embarcar naquela aventura sozinha. Apesar do medo inicial de "e se não fizer lá amigos" cedo caí em mim e me apercebi que com o meu feitio extrovertido (não bitchy como irias dizer) o fazer novas amizades não seria um desafio, mas um prazer, uma decorrência natural, e um dos propósitos da minha viagem. Ao olhar as fotos vejo-me mais nova, mais magra, e menos completa. Ainda não tinha vivido as grandes aventuras da minha juventude. Ou serei já uma mulher adulta? Estarei ainda in-between? Não sei bem, acho que é um misto ainda de juventude e vida adulta... Nem pouco nem séria demais. Vejo as fotos e recordo a excitação de percorrer a cidade sozinha, ou com os novos amigos feitos no curso de italiano. Senti-me mais independente do que nunca, porque uma coisa é andarmos sozinhos em Lisboa, home sweet home, outra coisa é partir à aventura da cidade desconhecida, da língua desconhecida... Amei isso tudo. Amei a cidade, amei a língua italiana, amei cada passeio que fiz aos fins de semana, amei com todo o meu ser todos os momentos da minha aventura. Recordo a primeira vez que vi o Colosseo, fiquei abismada. A primeira vez que vi o monumento a Vittorio Emmanuelle, logo no dia da minha chegada a Roma. Ainda hoje permanecem os meus monumentos favoritos de Roma, como boa estrangeira que serei sempre na cidade, aos olhos dos outros, mas nunca aos meus.

Pertenço a Roma, hoje, volvidos dois anos inteiros, mais do que nunca. No Verão do ano passado, como que a cumprir a tradição iniciada em 2006, voltei a Roma, aos mesmos locais, mesma escola, novos amigos, novas aventuras. Amar em Roma. Viver em Roma. Esse mês inesquecível que me perseguirá sempre na minha memória. Como dizia o anúncio, assim que aterrei naquele verão em Roma soube: "aqui vou ser feliz". E fui, como nunca o havia sido antes. Vi Roma com outros olhos, fiz amizades que ainda hoje duram, tal como as de 2005, mas aquelas mais fortes. Conheci-me a mim mesma na cidade, ri, chorei, dei gargalhadas, tive soluços incontroláveis e apreciei a minha querida e eterna cidade.

Em Fevereiro deste ano de 2007 voltei, porque já estava há muitos meses sem me "sentir em casa". E foi tão bom voltar. Deixei de me sentir deslocada em Roma. Passsei como se tudo fosse meu, porque na realidade o era. Voltei a sentir o romance em cada Via, o prazer em cada Strada, tudo em Roma me envolveu novamente. O inverno frio que se fazia sentir em Roma foi aquecido pelo fogo com que a cidade me preencheu.

E este Verão, como já sabes, voltei. Porque um Verão sem Roma, sem me lembrar das alegrias, das aventuras, dos amigos e dos esquecidos, do Termini e do Ivo a Trastevere, do amor... não é Verão.

Dizem que as paixões de Verão nunca chegam à estação fria. Dizem que sim... mas isso nunca será verdade comigo... e com Roma.


ler ao som de: Rodrigo Leão - Cinema (uma das músicas que mais me inspira a escrever)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

BACK !

Hoje, dia 23 de Agosto, actualizo com grande pena este pequeno pedaço de Bohemia cibernáutica. Com pena porque estou de regresso a casa. Voltei. Este foi o balanço dos últimos dias.

[Madrid]
Aqui descobri como a cidade superou em larga as minhas expectativas. Tinha uma ideia pré-concebida totalmente errada, que Espanha não me agradaria. Enganei-me redondamente, e ainda bem que fiz esta viagem à capital espanhola, e que ela própria, com as suas praças e monumentos e vida e salero me demonstrou que estava errada.
Eu e a Jana fomos passar um dia a Segovia, a cerca de uma hora de Madrid. Lá reencontrei velhos amigos do meu primeiro curso de italiano em Roma em 2005. Foi como voltar um pouco atrás no tempo, recordar velhas histórias, velhos passeios, velhas memórias... Nessa madrugada dormimos no aeroporto, uma experiência totalemente inovadora para mim. Saquei do saco-cama e repimpámo-nos no chão do Terminal 1 de Madrid-Barajas, juntamente com cerca de cem ou talvez mais viajantes que escolhem o chão frio do aeroporto como a opção mais económica de dormitar algumas horas antes dos voos para os seus destinos eleitos. Escusado será dizer que nem duas horas dormi, fiquei-me pela hora e meia...


ler ao som de: Alejandro Sanz - Corazón Partio


[Roma]
Ah, la mia città... Poderia escrever tantas linhas sobre Roma que penso que o melhor mesmo será começar a sintetizar, senão os meus leitores bohemios ficam fartos depressa!
Voltar a Roma é como voltar ao meu passado e ao mesmo tempo ao meu futuro. Relembro em Roma todas as histórias que ali vivi, todos os recantos da cidade que "só eu" sei, todas as tardes passadas em frente ao Il Vittoriano, aquele que será sempre um dos meus monumentos e momentos favoritos. Em Roma lembrei-me de um post num blog amigo (http://reversivel.blog.sapo.pt/)... E se eu o encontrasse em Roma, entre as minhas memórias e o meu presente?
Na nossa última noite em Roma, resolvemos cumprir uma tradição que me acompanha há já dois anos... Frascati! Pegámos em nós, metemo-nos no combóio para lá e na vila comprámos porchetta, salami, pão, batatas fritas e claro...vino! Quando regressámos a Roma era quase meia-noite e uma garrafa de vinho dividia-se entre os nossos estômagos. Foi com alguma dificuldade que chegámos ao quinto-andar do hostel na Via Cavour. Jana regressou muito cedo à Alemanha, eu ainda me pude deliciar com algumas horas de sono/ressaca, antes de apanhar o Leonardo Express para o aeroporto de Fiumicino, rumo a Bratislava.

ler ao som de: Ornella Vanoni - Appuntamento


[Vienna]
Após um autocarro de hora e meia de Bratislava, na Eslováquia, lá cheguei a Vienna. Reencontrei-me com o David, esse amigo de sempre como costumo dizer. Em Vienna tive os dias só para mim, o que é o mesmo que dizer que dormi até horas bastante decentes para quem está de férias, e vesti a pele de turista durante o dia. Durante a noite deixei-me guiar pelo David, que se transforma em quase nativo pela cidade, conhecendo os bares, restaurantes, gelatarias e paragens de metro para onde devemos ir ou não ir (como Karlsplatz!). Conheci uns colegas dele muito fixes, os quais contribuiram bastantes para animar a minha estadia em Vienna. Michael, Claudia e Dilara, thumbs up for you, guys!



[Budapeste]
Rresolvemos os cinco fantásticos ir passar o fim de semana a Budapest. Apesar de terem estado quase 40ºC, como de resto já não era novidade para mim, a cidade não me fascinou como eu pensava que fascinaria. Ficámos no lado Pest e durante o dia passeámos no lado Buda. Andámos bastante, deliciámo-nos na única noite que lá passámos com um Wiener Schnitzel do tamanho de uma pizza gigante, no restaurante Fatál, muito conhecido pelo budapestenses (?Tenho a certeza que eles não se chamam assim, mas enfim), e saíamos pela madrugada fora na discoteca Rio...


ler ao som de: Yves Larock - Rise up

back to Vienna

My last days in Wien... Passeei, tentando não olhar para o relógio muitas vezes pois sentia o tempo a passar cada vez mais rápido, e como passar do tempo aproximar-se-ia também o meu mentalmente adiado retorno a casa. O último momento que recordo em Vienna foi o almoço com os Fantastic Four (Claudia was missing) num parque, em estilo pic-nic, em frente aos edifícios das Nações Unidas, no Vienna International Center.




»» Back to Reality««


Depois de uma noite não dormida no aeroporto de Frankfurt-Hahn e no avião da Ryanair, cheguei a Faro. O plano inicial de uns dias passados com os meus amigos especial não se concretizou, e em vez disso foi presenteada com um mini tour em Quarteira. Desde a pastelaria Beira-Mar, que me deliciou com um pequeno almoço que há muito tempo não tomava (não só a tosta mista em pão caseiro e um pastel de nata óptimo, mas como a própria refeição... ser estudante é mesmo ser pobre :p), até a um dos meus restaurantes favoritos lá em baixo, o Búzios, que me fez gostar de peixe para além do sushi...
E nada como a seguir ao almoço deitarmo-nos à borda da piscina a gozar do sol quente do sul algarvio. Graças ao Nuno ainda me consegui bronzear horas antes de voltarmos para Lisboa :-)
Após três horas ou talvez menos de viagem, chegámos a minha casa. Foi muito estranho voltar, principalemnte porque eu sabia o que isso implicava. O voltar = o não partir... e o começar a contar os dias para o início de uma nova fase: o trabalho!
Depois de um jantarzinho caseiro, ainda houve tempo para umas fotos no carro com o Nuno, hora a que ele rumou de novo ao sul e eu caí na cama como há muito tempo não fazia. Resultado: doze horas sleeping in wonderland.

ler ao som de: Chambo - Pokito a poco


Balanço: POSITIVÍSSIMO! Madrid me encanta! Roma ti amo! Wien war erstaunlich

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Madrid me mata! (dia uno)

Cheguei a solo espanhol pouco passava do meio dia, hora local. Como tem sido hábito nas companhias aéreas low cost, o voo partiu atrasado de Lisboa, e chegou antes do tempo a Madrid. Encontrei-me com a Jana, a minha companheira alema de viagens no metro do aeroporto de Barajas. Dirigimo-nos ao centro para fazer o check in no nosso hostel, Bull's Hostel. Apesar das peripécias que mais tarde contarei para nao estragar o cenário idílico da nossa chegada, o dia correu maravilhosamente bem.

Depois de uma hamburgesa no topo do El Corte Inglès, um conceito de lojas desconhecido até entao para a Jana, percorremos literalmente loja a loja da zona do Sol, mais concretamente na Calle de los Preciados. Após alguma inquitacao da minha carteira, lá fiz a primeira compra: uns sapatos prateados de salto alto em saldo!!! O sonho de qualquer chica, claro!

Continuámos a passear, passamos pela Plaza del Oriente, onde nos sentámos a descansar, (já eram 7 da tarde e o sol...esse... pareciam umas 3 da tarde de Lisboa - a minha amada cidade) e apanhámos algum sol (quite a lot!).

Seguimos para o Palacio Real, que me impressionou de uma maneira que nao sei descrever. Depois introduzo as fotos quando voltar a casa.

Fomos jantar na zona de La Latina, comemos uma light meal e dirigimo-nos para o hostel, porque o nosso dia tinha começado bem cedo! A Jana já dorme, eu estou com insónias, e como fiel escritora que sou, vim partilhar as novidades com os poucos, mas bons, leitores das BOhemian Travels.

Resumo do dia: Madrid me mata! Andei tanto que nao sei como ainda tenho pés!

Hasta mañana!


ler ao som de: E viva la España!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Time to go...

Viagens mesmo à porta. Mala feita e pronta para partir. Aquele sentimento de ir à descoberta do desconhecido. Aquela sensação de ter esquecido algo em casa. Levar a emoção nas mãos e a máquina digital na mochila. Partir. Olhar para trás?

Next Bohemian Travels:
10-13 Agosto: Madrid
13-15 Agosto: Roma
15-21 Agosto: Viena
(17-19 Agosto: weekend at the unknown yet)
22-... Agosto: Última paragem pelo Algarve

Tô no ir, mais uma vez. My summer, my vacations, my cities, my friends. Let's boogie till it's dawn. Party, fiesta!!


ler ao som de: Baby G - Reggae night fever

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

The farewell

Ontem despedi-me de um amigo que vai estudar para fora uns poucos de anos... Chegou a hora dele voar para além do Atlântico e conquistar as terras perdidas da Califórnia.

E com essa despedida pus-me a pensar como será a minha despedida. Vou-me despedir da vida de estudante, que apesar de sempre a dizer maldita, na realidade nunca a foi, pelo contrário, tenho a certeza que foram os melhores anos da minha vida até agora. Fiz amigos e inimigos, formei o meu carácter e o meu saber, apaixonei-me e amei, e chorei e deprimi... Vou-me despedir do Verão, pois quando voltar de férias o Verão tal como eu o conheço terá chegado ao fim, pois a 3 de Setembro começo a labuta diária. Vou-me despedir de amigos que deixarei espalhados pela Europa, e que não sei quando os tornarei a ver.

Tanta coisa que vou ter de deixar para trás, a que não poderei dar tanta atenção como dava, nem dispender o tempo que dispendia até há bem pouco tempo atrás. Mas as minhas verdadeiras férias vêm aí, e com elas viagens até sítios nunca ou tantas vezes visitados. O reencontro com os amigos de sempre, de ontem e de amanhã, tanta coisa...

ler ao som de: Pólo Norte - Partir
(não sei bem se é o nome da música, mas o refrão basicamente é: Parto sem saber, sem saber se sou capaz, deixo tudo para trás, e vou para longe, para longe... Se lá vou ficar, o destino irá dizer...)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Would I be?

Conseguiremos construir o nosso futuro sem olhar para o nosso passado? Não será o futuro uma re-construção melhorada do passado e do presente? Pus-me a pensar na influência que o passado pode ter na vida de uma pessoa, como influencia as nossas escolhas e as nossas decisões presentes e futuras. Olho para o meu passado e o meu presente, e tomo consciência que não só não teria tomado certas decisões, algumas determinantes na minha vida, não fossem os acontecimentos passados na minha vida. Mais, tenho a certeza que não seria quem sou, não teria este feitio difícil mas impossível de não ser notado não fossem as minhas águas passadas (ou ainda presentes, na minha memória).


Teria eu tomado as decisões que tomei hoje e tomarei amanhã, não fosse a minha vivência dos últimos dias, meses, do último ano? Não sei... mas ainda bem que as tomei :-), senão não seria eu, seria uma projecção falsa e pouco exacta daquilo que eu sou e quero ser.


ler ao som de: The Fray - How to save a life

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

10 things I hate about you

I hate the way you talk to me, and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots, and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick; it even makes me rhyme.
I hate the way you're always right.
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh, even worse when you make me cry.
I hate it when you're not around, and the fact that you didn't call.
But mostly I hate the way I don't hate you. Not even close, not even a little bit, not even at all.


ler ao som de: Letters to Cleo - I want you to want me

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Simple poem...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


ler ao som de: Josh Groban - You're still you

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

1º dia do mês de Agosto, mês que será palco das últimas férias a sério, cheias de liberdade, viagens, novas descobertas, e outras que tais. Agosto será um mês de pôr a cabeça em ordem para o futuro que se avizinha, será um mês para queimar os últimos cartuchos, gozar cada dia como se fosse o último, mas mais ainda do que o costume. Será um mês para ver amigos há muito desaparecidos de vista, visitar locais de antigas paixões e antigas memórias... será um mês em cheio. Não tenho muito mais para dizer, a não ser que entrei neste mês na minha mente com o pé direito.


Espero que este espírito se mantenha bem até ao fim do mês. Ready-Set-Go, aqui vou eu à descoberta outra vez... Carpe Diem.


ler ao som de: The Shins - Caring is creepy

terça-feira, 31 de julho de 2007

Regressar

v. int.,
retroceder;
voltar ao ponto de partida;
retrogradar




E voltei para Lisboa... como sempre, ou como nunca antes. Não sei. Regressei apenas.


ler ao som de: Margarida Pinto - Ficar (canção de embalar)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Tô no ir...

Parto hoje a noite para o Algarve e volto segunda-feira pelo que as viagens no Bohemian Travels vão estar pseudo-suspensas até lá...depois ponho as viagens em dia!

La Bohemia

ler ao som de: o silêncio, esse som mais puro que existe...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pasión, a verdadeira

No me olvides
yo me muero
Amor
mi vida es sufrimiento
Yo
te quiero en mi camino
Por vos
cambiaba mi destino

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.

Tengo
un corazón penando
Yo sé
que vos lo está escuchando
Con
mil lágrimas te quiero
Pasión
sos mi amor sincero

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.


ler ao som de: Rodrigo Leão - Pasión

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco


ler ao som de: Röyksopp - Sparks

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Back to the past

A viagem de hoje foi literalmente ao passado. Meti-me no combóio e rumei a Lisboa. Já não fazia isto há quase cinco anos... ainda assim nada mudou. O dia estava lindo, um céu azul como há muitos dias não via, uma temperatura nem muito quente nem muito fria, um vento de vez em quando que nos faz sentir vivos. Cheguei a Lisboa. Apanhei o metro e saí na Baixa. Como pode haver lugar mais agradável para se passear durante as férias de Verão? Ainda me lembro, era miúda, e ia com as amigas para a Baixa "ver as lojas baratinhas", lembro-me mesmo de uma loja, que ninguém nunca soube o nome, a "loja das calças, do Sr. Manuel", que vendia calças de ganda sempre a 30€, e ainda podíamos mandar fazer por medida. Foi uma loja que passou de geração: vejo agora as "miúdas" a fazerem fila para entrarem naquele espaço mínimo que nem 20m2 deve ter...

Mas segui pela Baixa, passei pelo Rossio... e dei por mim a sorrir. De novo aquele sentimento que Lisboa desperta em mim. Digam o que disserem, mesmo que seja eu a dizê-lo: Lisboa é linda, é a realidade de there's no place like home. Tenho hoje, após 22 anos de vida sempre passados na capital a certeza absoluta disso. Mesmo que uma Roma ou um Paris aí venham e passem a figurar na minha morada, Lisboa será sempre Lisboa.

No caminho de regresso para casa, deparei-me com uma imagem perfeita para uma fotografia, claro que não a captei porque não levei a máquina... um avô a ensinar o neto a andar de bicicleta, mesmo ali, em Algés, numas estradas praticamente desertas. Dei por mim a recuar mentalmente para o meu passado, o meu avô e a minha bicicleta. God, como estamos velhos, como o tempo passa a correr por nós...ainda ontem me esfolava a aprender a andar sem as rodinhas de trás... E hoje... hoje.... Lembrei-me da minha infância, onde tudo era tão simples, não tínhamos preocupações nem decisões a tomar; ou melhor, a única decisão era "como vou vestir hoje a minha Barbie" ou "com quem vou hoje brincar na praia ou na piscina". Não conhecíamos o amor que não aquele pelos nossos pais, mas a amizade era um valor muito mais sagrado do que hoje, com 22 anos, a vejo. Era intocável, como uma relíquia que encontramos num filme do Indiana Jones...


Vinte e dois anos passados, tenho noção que a viagem ao passado que fiz hoje a farei daqui a dez ou vinte anos... lembrando-me do que agora é hoje, e na altura será ontem. Enquanto esse futuro desconhecido e incerto não chega, lembro-me de hoje... só de hoje...

ler ao som de: Israel Kamakawiwo - Somewhere over the rainbow/What a wonderful world

domingo, 22 de julho de 2007

Perdida na noite

Conduzia ontem de madrugada para casa. Pensamentos soltos. A garganta seca e arranhada do álcool consumido e do vento da noite. O silêncio acompanhado de uma melodia conhecida. Lugares de outrora passavam junto a mim, ou eu junto a eles. As luzes dos automóveis que me ultrapassavam. O caminho para casa que sei de cor. Pensei de novo. Memórias de passado e futuro. Parei no sinal vermelho. Primeira e arranquei. A música envolveu-me. Mais memórias, mais passado, mais presente... Afastei tudo da minha mente, menos o teu olhar, que me guiou na escuridão. Decido lutar e não aceito cruzar os braços. A música envolve-me cada vez mais. Acelero, o sinal de velocidade controlada dispara, mas não me interessa, continuo, acompanhando o crescente da música. Cada vez mais depressa, a acompanhar o ritmo que bate dentro de mim. Não quero parar, quero continuar cada vez mais longe e depressa. STOP! Chego a casa. Aceito o desafio, talvez o mais difícil de todos aqueles que já enfrentei. Não me interessa, vou vencer este também. Let the games begin.

ler ao som de: The Gift - Song for a Bue Heart

(como não resisti, deixo aqui também a letra, absolutamente fenomenal)
Water on my lips, sweet fingers open my eyes, my heavy eyes
We smile like it was the last smile on earth,
the smile of a blue heart, blue skin, blue songs.
I know, the colour is blue, maybe too much blue, I know
Make me scream I scream for you
Make me fly; I'm flying with you
Make me cry I cry for you
Water is Blue, water is blue, water is…
Never found a girl from another world
Never touch the floor with another one
Never breathe that air from another one
Never felt those eyes playing with my soul
Blue to be breath, blue to believe,
Blue to be felt by you, blue to be touched by you
Someday, somehow somewhere

sábado, 21 de julho de 2007

Pensamento do dia: "Run. Not because you're being chased. Not because you're in a hurry. Just because".


ler ao som de: Imogen Heap - Hide and Seek

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ready-Set-GO!

A minha partida, desta vez de férias, está cada vez mais próxima. No entanto, apesar de ir de férias no verdadeiro sentido da palavra, não sinto que seja esse o objectivo da minha viagem. Tenciono conhecer novas coisas, fazer um pouco de sight-seeing e isso tudo, mas acima de tudo preciso de me re-descobrir. Porque na realidade sim, estou perdida, e ainda não me encontrei.

E cheguei a essa brilhante conclusão apenas há pouco tempo. Andei tantos meses com a minha cabeça, com todas as minhas energias e atenção focadas em acabar o curso, que nem dei conta que o tempo não passou só pelos outros, mas passou por mim também. E eu esqueci-me de mim, de tratar de mim, de cuidar de mim. De ser eu. Fui a aluna, a filha, a amiga, mas não consegui ser eu, o tempo ultrapassou-me pela direita e nem sequer uma multa apanhou. Chegou a hora de voltar a pôr os pontos nos iis.

Vou passar por várias cidades, com várias companhias de viagem. Em todas elas espero aprender algo novo sobre mim, ou relembrar algo esquecido. Afinal eu sou eu, e por muito "lili canecesco" que isso pareça, não é assim tão fácil de descortinar... É bem difícil até! Por isso vou partir, à aventura como de vez em quando faço, e quando voltar, espero trazer boas novas: mais energia para enfrentar o futuro difícil que em Lisboa me espera, coragem para saber aceitar os desafios que avizinho no meu futuro e acima de tudo, a razão qual fulcral para a minha partida, trazer-me de volta. De volta a tudo: às noitadas, ao trabalho intenso, ao jogo de cintura que anda meio perdido em mim (mas que ainda assim, o sei tão bem como se o tivesse usado ontem pela última vez), o charme que de vez em quando teima em aparecer (e que já me salvou tantas vezes de um destino quase pior do que a morte: a derrota), em suma... EU.


Daqui a pouco mais de um mês já terei, assim o espero, as tais boas novas. Daqui a pouco mais de um mês já serei eu outra vez, sem pressas, nem correrias, nem ânsias de alcançar um futuro ainda por alcançar no horizonte. Serei eu. E basta! :-)


ler ao som de: The Gift - Me, myself & I
Ontem pus-me a pensar em relações. Existem aquelas que nos mostram algo novo e exótico, aqueles que são antigas e nos são familiares, aquelas que nos trazem muitas questões, aquelas que nos trazem algo inexperado, aquelas que nos levam para longe de onde começámos e aquelas que nos trazem de volta. Mas a mais excitante, desafiante e significante relação de todas elas é aquela que nos temos connosco próprios. E se conseguirmos encontrar alguém que nos ame como nós nos amamos, bem, então isso é absolutamente fantástico.

Muitos erros são aquilo de que o nosso destino é feito... sem eles, o que moldaria as nossas vidas? Talvez se nunca saíssemos da nossa rota, nunca nos apaixonaríamos, casaríamos, ou seríamos quem somos. No final das contas, as coisas mudam, também as cidades; as pessoas entram e saem da nossa vida. Mas é reconfortante saber que aquelas que verdadeiramente amamos ficarão sempre no nosso coração... e se tivermos sorte, estarão a uma viagem de avião de distância!

Talvez os homens sejam uma droga. Ás vezes fazem-nos sentir em baixo, e outras vezes, sobem-nos imenso o astral. No matter what they say, eu não quero deixar essa droga, porque isso seria deixar de sentir. E sentir é viver.

(inspirado num monólogo de Carrie Bradshaw, in Sex and the City)


ler ao som de: Rodrigo Leão - Cinema

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Viagem ao centro de tudo

A viagem de hoje, esta sim a horas decentes, mas com uma grande ressaca de sono em cima, vai ser num shuttle express... para Lisboa. "Please fasten your seatbelts bla bla bla..."

Para os que me conhecem, estou sempre a dizer mal do País, porque estamos atrasados em comparação com o resto da Europa, porque podíamos ser muito melhor do que somos, etc. Estão-me sempre a ouvir dizer como assim que puder faço malas e parto à descoberta de uma nova vida num novo lugar. Mas hoje rendo-me. Pousei as armas e acenei com a bandeira branca em sinal de paz. Lisboa é linda. E não estou a falar apenas da beleza arquitectónica, essa sim é inegável. Estou-me a referir à vida de Lisboa, e não a viver em Lisboa (two very different realities, please don't mix them!).

Passeei de carro por Lisboa, passei pelas Docas, 24 de Julho, Bairro Alto e Princípe Real... Lisboa apaixonou-me outra vez, e eu apaixonei-me por ela como talvez nunca antes, agora que sei que a minha partida está mais próxima do que em anos anteriores a imaginei. A luz de Lisboa entra-me pela alma e rouba-me todas as sensações que eu tenho e as que não tenho também. Cada pedra de calçada tem uma história para contar, cada rua estreita tem um amor desfeito, cada fonte ou estátua ou monumento tem algo para dar: the X factor. Não o sei descrever. Aqui nasci, aqui vivi e mesmo que deixe este meu centro de tudo, parte de mim fica sempre cá. Lisboa é "the one".

E já se sabe, o primeiro amor nunca se esquece :-)



Ler ao som de: K's Choice - Believe

Trip down memory lane

(Que é como quem diz, vamos lá escarafunchar na caixinha fechada a sete chaves as memórias mais densas e escondidas do nosso ser...)

E 365 dias passaram outra vez. Nada de especial a relatar. A Terra "ás vezes" faz disto, gira durante um ano, e depois é outra vez este dia (por acaso 18 de Julho, por sinal). Pus-me a pensar, não no ano inteiro que passou, mas há 365 dias atrás... Como éramos todos diferentes. Um ano mais novos, é certo.

A viagem de hoje será curta, dada a hora (voamos de Concorde, mas em económica para ficar mais em conta - "não, obrigada, dispenso esses amendoins a saber a bafio em pacotes que nunca conseguirei abrir sem pedir ajuda ao senhor do lado").

Há 365 dias tinha eu uma doce visão sobre o que seria o meu futuro: um ano lectivo difícil (o último do curso, com muitas cadeiras em atraso e muitos créditos por fazer); o começar a procurar o primeiro emprego (que para nós, mal-fadados estudantes de Direito que escolheram "a profissão", terá de ser um estágio mal pago, onde nos sugam a alma e o couro e o cabelo durante dois anos miseráveis das nossas vidas); uma paixão... Escusado será dizer que as probabilidades correram a meu favor, e de três consegui duas: o curso e o estágio. E a paixão? Ah essa... vejo-a todos os dias ao espelho, quando me olho nos olhos e pergunto a mim mesma se foi isto que escolhi. - "Foi, tenho a certeza", sussurrei com um sorriso. A paixão continua, como no dia em que a conheci, com os seus momentos de timidez, outros de ousadia... mas pacata, muito quieta, como à espera de um sinal na rádio em estilo de revolução orquestrada há muito. Ouvirei um "Grândola Vila Morena" em breve? Quem sabe... mas isso já é outra viagem.

"Senhoras e Senhores: basicamente aterrámos". Amanhã há mais!



Ler ao som de: Feist - Let it die