E 365 dias passaram outra vez. Nada de especial a relatar. A Terra "ás vezes" faz disto, gira durante um ano, e depois é outra vez este dia (por acaso 18 de Julho, por sinal). Pus-me a pensar, não no ano inteiro que passou, mas há 365 dias atrás... Como éramos todos diferentes. Um ano mais novos, é certo. A viagem de hoje será curta, dada a hora (voamos de Concorde, mas em económica para ficar mais em conta - "não, obrigada, dispenso esses amendoins a saber a bafio em pacotes que nunca conseguirei abrir sem pedir ajuda ao senhor do lado").
Há 365 dias tinha eu uma doce visão sobre o que seria o meu futuro: um ano lectivo difícil (o último do curso, com muitas cadeiras em atraso e muitos créditos por fazer); o começar a procurar o primeiro emprego (que para nós, mal-fadados estudantes de Direito que escolheram "a profissão", terá de ser um estágio mal pago, onde nos sugam a alma e o couro e o cabelo durante dois anos miseráveis das nossas vidas); uma paixão... Escusado será dizer que as probabilidades correram a meu favor, e de três consegui duas: o curso e o estágio. E a paixão? Ah essa... vejo-a todos os dias ao espelho, quando me olho nos olhos e pergunto a mim mesma se foi isto que escolhi. - "Foi, tenho a certeza", sussurrei com um sorriso. A paixão continua, como no dia em que a conheci, com os seus momentos de timidez, outros de ousadia... mas pacata, muito quieta, como à espera de um sinal na rádio em estilo de revolução orquestrada há muito. Ouvirei um "Grândola Vila Morena" em breve? Quem sabe... mas isso já é outra viagem.
"Senhoras e Senhores: basicamente aterrámos". Amanhã há mais!
Ler ao som de: Feist - Let it die
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