terça-feira, 31 de julho de 2007

Regressar

v. int.,
retroceder;
voltar ao ponto de partida;
retrogradar




E voltei para Lisboa... como sempre, ou como nunca antes. Não sei. Regressei apenas.


ler ao som de: Margarida Pinto - Ficar (canção de embalar)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Tô no ir...

Parto hoje a noite para o Algarve e volto segunda-feira pelo que as viagens no Bohemian Travels vão estar pseudo-suspensas até lá...depois ponho as viagens em dia!

La Bohemia

ler ao som de: o silêncio, esse som mais puro que existe...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pasión, a verdadeira

No me olvides
yo me muero
Amor
mi vida es sufrimiento
Yo
te quiero en mi camino
Por vos
cambiaba mi destino

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.

Tengo
un corazón penando
Yo sé
que vos lo está escuchando
Con
mil lágrimas te quiero
Pasión
sos mi amor sincero

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.


ler ao som de: Rodrigo Leão - Pasión

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco


ler ao som de: Röyksopp - Sparks

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Back to the past

A viagem de hoje foi literalmente ao passado. Meti-me no combóio e rumei a Lisboa. Já não fazia isto há quase cinco anos... ainda assim nada mudou. O dia estava lindo, um céu azul como há muitos dias não via, uma temperatura nem muito quente nem muito fria, um vento de vez em quando que nos faz sentir vivos. Cheguei a Lisboa. Apanhei o metro e saí na Baixa. Como pode haver lugar mais agradável para se passear durante as férias de Verão? Ainda me lembro, era miúda, e ia com as amigas para a Baixa "ver as lojas baratinhas", lembro-me mesmo de uma loja, que ninguém nunca soube o nome, a "loja das calças, do Sr. Manuel", que vendia calças de ganda sempre a 30€, e ainda podíamos mandar fazer por medida. Foi uma loja que passou de geração: vejo agora as "miúdas" a fazerem fila para entrarem naquele espaço mínimo que nem 20m2 deve ter...

Mas segui pela Baixa, passei pelo Rossio... e dei por mim a sorrir. De novo aquele sentimento que Lisboa desperta em mim. Digam o que disserem, mesmo que seja eu a dizê-lo: Lisboa é linda, é a realidade de there's no place like home. Tenho hoje, após 22 anos de vida sempre passados na capital a certeza absoluta disso. Mesmo que uma Roma ou um Paris aí venham e passem a figurar na minha morada, Lisboa será sempre Lisboa.

No caminho de regresso para casa, deparei-me com uma imagem perfeita para uma fotografia, claro que não a captei porque não levei a máquina... um avô a ensinar o neto a andar de bicicleta, mesmo ali, em Algés, numas estradas praticamente desertas. Dei por mim a recuar mentalmente para o meu passado, o meu avô e a minha bicicleta. God, como estamos velhos, como o tempo passa a correr por nós...ainda ontem me esfolava a aprender a andar sem as rodinhas de trás... E hoje... hoje.... Lembrei-me da minha infância, onde tudo era tão simples, não tínhamos preocupações nem decisões a tomar; ou melhor, a única decisão era "como vou vestir hoje a minha Barbie" ou "com quem vou hoje brincar na praia ou na piscina". Não conhecíamos o amor que não aquele pelos nossos pais, mas a amizade era um valor muito mais sagrado do que hoje, com 22 anos, a vejo. Era intocável, como uma relíquia que encontramos num filme do Indiana Jones...


Vinte e dois anos passados, tenho noção que a viagem ao passado que fiz hoje a farei daqui a dez ou vinte anos... lembrando-me do que agora é hoje, e na altura será ontem. Enquanto esse futuro desconhecido e incerto não chega, lembro-me de hoje... só de hoje...

ler ao som de: Israel Kamakawiwo - Somewhere over the rainbow/What a wonderful world

domingo, 22 de julho de 2007

Perdida na noite

Conduzia ontem de madrugada para casa. Pensamentos soltos. A garganta seca e arranhada do álcool consumido e do vento da noite. O silêncio acompanhado de uma melodia conhecida. Lugares de outrora passavam junto a mim, ou eu junto a eles. As luzes dos automóveis que me ultrapassavam. O caminho para casa que sei de cor. Pensei de novo. Memórias de passado e futuro. Parei no sinal vermelho. Primeira e arranquei. A música envolveu-me. Mais memórias, mais passado, mais presente... Afastei tudo da minha mente, menos o teu olhar, que me guiou na escuridão. Decido lutar e não aceito cruzar os braços. A música envolve-me cada vez mais. Acelero, o sinal de velocidade controlada dispara, mas não me interessa, continuo, acompanhando o crescente da música. Cada vez mais depressa, a acompanhar o ritmo que bate dentro de mim. Não quero parar, quero continuar cada vez mais longe e depressa. STOP! Chego a casa. Aceito o desafio, talvez o mais difícil de todos aqueles que já enfrentei. Não me interessa, vou vencer este também. Let the games begin.

ler ao som de: The Gift - Song for a Bue Heart

(como não resisti, deixo aqui também a letra, absolutamente fenomenal)
Water on my lips, sweet fingers open my eyes, my heavy eyes
We smile like it was the last smile on earth,
the smile of a blue heart, blue skin, blue songs.
I know, the colour is blue, maybe too much blue, I know
Make me scream I scream for you
Make me fly; I'm flying with you
Make me cry I cry for you
Water is Blue, water is blue, water is…
Never found a girl from another world
Never touch the floor with another one
Never breathe that air from another one
Never felt those eyes playing with my soul
Blue to be breath, blue to believe,
Blue to be felt by you, blue to be touched by you
Someday, somehow somewhere

sábado, 21 de julho de 2007

Pensamento do dia: "Run. Not because you're being chased. Not because you're in a hurry. Just because".


ler ao som de: Imogen Heap - Hide and Seek

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ready-Set-GO!

A minha partida, desta vez de férias, está cada vez mais próxima. No entanto, apesar de ir de férias no verdadeiro sentido da palavra, não sinto que seja esse o objectivo da minha viagem. Tenciono conhecer novas coisas, fazer um pouco de sight-seeing e isso tudo, mas acima de tudo preciso de me re-descobrir. Porque na realidade sim, estou perdida, e ainda não me encontrei.

E cheguei a essa brilhante conclusão apenas há pouco tempo. Andei tantos meses com a minha cabeça, com todas as minhas energias e atenção focadas em acabar o curso, que nem dei conta que o tempo não passou só pelos outros, mas passou por mim também. E eu esqueci-me de mim, de tratar de mim, de cuidar de mim. De ser eu. Fui a aluna, a filha, a amiga, mas não consegui ser eu, o tempo ultrapassou-me pela direita e nem sequer uma multa apanhou. Chegou a hora de voltar a pôr os pontos nos iis.

Vou passar por várias cidades, com várias companhias de viagem. Em todas elas espero aprender algo novo sobre mim, ou relembrar algo esquecido. Afinal eu sou eu, e por muito "lili canecesco" que isso pareça, não é assim tão fácil de descortinar... É bem difícil até! Por isso vou partir, à aventura como de vez em quando faço, e quando voltar, espero trazer boas novas: mais energia para enfrentar o futuro difícil que em Lisboa me espera, coragem para saber aceitar os desafios que avizinho no meu futuro e acima de tudo, a razão qual fulcral para a minha partida, trazer-me de volta. De volta a tudo: às noitadas, ao trabalho intenso, ao jogo de cintura que anda meio perdido em mim (mas que ainda assim, o sei tão bem como se o tivesse usado ontem pela última vez), o charme que de vez em quando teima em aparecer (e que já me salvou tantas vezes de um destino quase pior do que a morte: a derrota), em suma... EU.


Daqui a pouco mais de um mês já terei, assim o espero, as tais boas novas. Daqui a pouco mais de um mês já serei eu outra vez, sem pressas, nem correrias, nem ânsias de alcançar um futuro ainda por alcançar no horizonte. Serei eu. E basta! :-)


ler ao som de: The Gift - Me, myself & I
Ontem pus-me a pensar em relações. Existem aquelas que nos mostram algo novo e exótico, aqueles que são antigas e nos são familiares, aquelas que nos trazem muitas questões, aquelas que nos trazem algo inexperado, aquelas que nos levam para longe de onde começámos e aquelas que nos trazem de volta. Mas a mais excitante, desafiante e significante relação de todas elas é aquela que nos temos connosco próprios. E se conseguirmos encontrar alguém que nos ame como nós nos amamos, bem, então isso é absolutamente fantástico.

Muitos erros são aquilo de que o nosso destino é feito... sem eles, o que moldaria as nossas vidas? Talvez se nunca saíssemos da nossa rota, nunca nos apaixonaríamos, casaríamos, ou seríamos quem somos. No final das contas, as coisas mudam, também as cidades; as pessoas entram e saem da nossa vida. Mas é reconfortante saber que aquelas que verdadeiramente amamos ficarão sempre no nosso coração... e se tivermos sorte, estarão a uma viagem de avião de distância!

Talvez os homens sejam uma droga. Ás vezes fazem-nos sentir em baixo, e outras vezes, sobem-nos imenso o astral. No matter what they say, eu não quero deixar essa droga, porque isso seria deixar de sentir. E sentir é viver.

(inspirado num monólogo de Carrie Bradshaw, in Sex and the City)


ler ao som de: Rodrigo Leão - Cinema

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Viagem ao centro de tudo

A viagem de hoje, esta sim a horas decentes, mas com uma grande ressaca de sono em cima, vai ser num shuttle express... para Lisboa. "Please fasten your seatbelts bla bla bla..."

Para os que me conhecem, estou sempre a dizer mal do País, porque estamos atrasados em comparação com o resto da Europa, porque podíamos ser muito melhor do que somos, etc. Estão-me sempre a ouvir dizer como assim que puder faço malas e parto à descoberta de uma nova vida num novo lugar. Mas hoje rendo-me. Pousei as armas e acenei com a bandeira branca em sinal de paz. Lisboa é linda. E não estou a falar apenas da beleza arquitectónica, essa sim é inegável. Estou-me a referir à vida de Lisboa, e não a viver em Lisboa (two very different realities, please don't mix them!).

Passeei de carro por Lisboa, passei pelas Docas, 24 de Julho, Bairro Alto e Princípe Real... Lisboa apaixonou-me outra vez, e eu apaixonei-me por ela como talvez nunca antes, agora que sei que a minha partida está mais próxima do que em anos anteriores a imaginei. A luz de Lisboa entra-me pela alma e rouba-me todas as sensações que eu tenho e as que não tenho também. Cada pedra de calçada tem uma história para contar, cada rua estreita tem um amor desfeito, cada fonte ou estátua ou monumento tem algo para dar: the X factor. Não o sei descrever. Aqui nasci, aqui vivi e mesmo que deixe este meu centro de tudo, parte de mim fica sempre cá. Lisboa é "the one".

E já se sabe, o primeiro amor nunca se esquece :-)



Ler ao som de: K's Choice - Believe

Trip down memory lane

(Que é como quem diz, vamos lá escarafunchar na caixinha fechada a sete chaves as memórias mais densas e escondidas do nosso ser...)

E 365 dias passaram outra vez. Nada de especial a relatar. A Terra "ás vezes" faz disto, gira durante um ano, e depois é outra vez este dia (por acaso 18 de Julho, por sinal). Pus-me a pensar, não no ano inteiro que passou, mas há 365 dias atrás... Como éramos todos diferentes. Um ano mais novos, é certo.

A viagem de hoje será curta, dada a hora (voamos de Concorde, mas em económica para ficar mais em conta - "não, obrigada, dispenso esses amendoins a saber a bafio em pacotes que nunca conseguirei abrir sem pedir ajuda ao senhor do lado").

Há 365 dias tinha eu uma doce visão sobre o que seria o meu futuro: um ano lectivo difícil (o último do curso, com muitas cadeiras em atraso e muitos créditos por fazer); o começar a procurar o primeiro emprego (que para nós, mal-fadados estudantes de Direito que escolheram "a profissão", terá de ser um estágio mal pago, onde nos sugam a alma e o couro e o cabelo durante dois anos miseráveis das nossas vidas); uma paixão... Escusado será dizer que as probabilidades correram a meu favor, e de três consegui duas: o curso e o estágio. E a paixão? Ah essa... vejo-a todos os dias ao espelho, quando me olho nos olhos e pergunto a mim mesma se foi isto que escolhi. - "Foi, tenho a certeza", sussurrei com um sorriso. A paixão continua, como no dia em que a conheci, com os seus momentos de timidez, outros de ousadia... mas pacata, muito quieta, como à espera de um sinal na rádio em estilo de revolução orquestrada há muito. Ouvirei um "Grândola Vila Morena" em breve? Quem sabe... mas isso já é outra viagem.

"Senhoras e Senhores: basicamente aterrámos". Amanhã há mais!



Ler ao som de: Feist - Let it die